terça-feira, 13 de abril de 2010

Mimesis

Mimesis

Até os dois primeiros pontos
encontrei o desatino da dor
inclui o desespero de viver
fiz sangrar até morrer

Depois conclui
que amar não é sofrer
que estar não é ser
e por fim
que eu não sou você

domingo, 17 de janeiro de 2010

Verborragia


Verborragia


Componho-me de palavras

Dos pés a cabeça
Desatinos proclamados

Nas veias
A poética liquefeita

Pelos olhos
O prólogo da essência visível

Na estrutura
A calcificação de promessas verbais

Da boca
O silêncio de mil palavras

Pelas vértebras
A cadência de devaneios

Do coração
O aforismo de dodecassílabos apaixonados

No sexo
A dialética do gozo


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A segunda das virtudes teologais




A segunda das virtudes teologais


À espera da ação
Nunca tida

À espera de certa voz
Ainda não esquecida

À espera do amor
Este perdi em despedidas

À espera que o céu se transforme
E que possa reconhecer a lua amarelecida

À espera de respostas
Sobretudo incompreendidas

À espera que o coração cicatrize
Ou que volte arrependida

À espera que voltemos à Pangeia
Agora a distância não mais intimida

À espera por fim de um milagre
O retorno à vida

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Mironga do amor




Mironga do amor

O que me assegura a vida
Uma possessão de espíritos

Mantenho meus amores
Numa alquimia de ilusões

Coleciono enganos
São amuletos perdidos

Trago pessoa amada em 4 dias
Paga-me com teu gozo

Disponho de simpatias
Preciso do coração para que funcione

Não temo minha própria sorte
A mentira camufla-se em rosas vermelhas

Só não me peça desencantamentos
Não devolvo o que havíamos combinado.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Casa de Belchior


Casa de Belchior

Por entre restos de vaidade
Pesa a mesura da saudade
Jaz o cheiro de naftalina

Encontro vestígios do antiquado
Noutro a fraqueza do que ainda vinda
E por último a incerteza da serventia

Remexo caixas e caixas de solidão
Chambres manchados com a idade
Óculos já de queda d’água fragorosa

E já no adeus à porta
Deixo a casa de muitas vidas
De quase uma multidão taciturna, semimorta

Que aguarda esquecida
A segunda chance
De reverdecer

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Onda


Onda

E ele passou
Rabiscou coisas no meu coração
E se foi

Catei tudo
Joguei no mar

Além alma
Além mar

Vícios


Vícios

Quem me dera poder me despir de mentiras
E sobre o corpo
Não mais paixões eternas

Quem me dera não mais servir doses de certezas
Por onde taças e cálices
Transbordam verdades absolutas

Quem me dera
Por fim
Apagar fumos ludibriantes
Cujos corpos em combustão
Desprendem o vapor lascivo
Falaz